Leu tanto que pensou mais um tanto e transplantou a córnea. Mas só em sua cabeça. Não via mais nada como há um segundo, novos olhos, nova visão. Havia mais mágica em tudo, nada era comum. Passara todos os anos de sua vida, até então, olhando com os antigos olhos os mesmos lugares e pessoas, que agora pareciam transformados, estavam diferentes. Tudo era motivo de celebrar a beleza, e esta era em abundância. Uma gota d'água transbordando inocentemente de um squeeze vislumbrava seu pensamento, e inclinava a cabeça para acompanhar todo seu breve itinerário até se espalhar pelo chão e dividir-se em brilhos úmidos. Em um cd qualquer, com a mídia virada pra cima, as cores vibrantes da tecnologia fantasiavam diante de seu nervo óptico alterado, era a aurora boreal em pleno Nordeste Brasileiro.
Fitava agora sua mão, esta que o acompanhara por toda seus dias desde feto, na mágica gestação. Era bonita, e como era. Tentou decifrar as linhas de sua palma, parecia um alfabeto esquecido, em vão. Girou-a e olhou bem de perto. Via a localização exata das veias que faziam todo o transporte e nutrição de tanta coisa biológica que ele desconhecia - ou se conhecia, preferia deixar assim no não-saber. Tocou-a. O sentir é gostoso, intenso, vivante. Sentia, logo existia. Agora juntou as duas mãos numa dança silenciosa e minuciosa, onde os dedos guiavam numa melodia misteriosa e bela, bela como tudo que seu olhar alcançava. Quando a dança cessou, olhou a outra mão. Observou logo abaixo dela a esperança amarrada no pulso, e achou isso muito bonito. Esse transporte de coisas boas do coração até o pulso, materializado e merecedor de versos. É tudo possuidor de muita boniteza.
domingo, 25 de janeiro de 2009
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Versos esperados
Tirinha têxtil da esperança
quase nem existe
Por um fio, ou dois, cerúleos
persiste.
Enfim, madura, cedeu
Certa da missão cumprida
tristemente disse Adeus
O pulso se irritou,
se embaraça por sua nudez
Mas antes todo nuinho realizado
a não ter o que já se fez.
Uma nova esperança é vestida
Para tudo dar pé e mão
verde-gaio renascida.
quase nem existe
Por um fio, ou dois, cerúleos
persiste.
Enfim, madura, cedeu
Certa da missão cumprida
tristemente disse Adeus
O pulso se irritou,
se embaraça por sua nudez
Mas antes todo nuinho realizado
a não ter o que já se fez.
Uma nova esperança é vestida
Para tudo dar pé e mão
verde-gaio renascida.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Sobre escrever
É melhor não insistir. Quando não quer, não vem. Tem vontade própria. É de dentro pra fora, como exorcismo. Pra não me irritar, é preferível repousar a caneta com tudo. Viver irritado não soa bem, viver é tão raro. E que haja linhas em branco, amém!
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